Comparado a 2022, este ano promete ser um tanto sem graça ou, na pior das hipóteses, “mamão com açúcar”. Acabaram as polêmicas do cercadinho, as “lives” às quintas-feiras, o esforço do “consórcio” para prestigiar o seu candidato, até mesmo o ministro Alexandre de Moraes será menos cioso com suas obrigações. Passada a euforia petista, que deve durar até a Quarta-Feira de Cinzas, restarão ao “povo brasileiro” algumas obviedades, como a quebra de promessas por falta de recursos e a exposição de uma terra arrasada para justificar o injustificável. E

o que estaria reservado às cidades, onde residem de fato os eleitores? Os limeirenses, em especial, também seguirão em banho-maria, a maioria ainda arranhada pelo resultado das urnas, mas três movimentações merecem um olhar atento. A primeira delas, como se dará a relação entre o novo governador Tarcísio de Freitas com nossa cidade, se teremos um caso de amor à primeira vista ou aquele que resulta de muitas idas ao cinema. Há indícios de um acordo mais imediato, do contrário o prefeito Mario Botion não teria participado de algumas reuniões de transição.

Além disso ele ainda possui, para expor, o capital político de sua esposa, construído nas últimas eleições. E o que estaria em jogo? Benefícios mais urgentes à Limeira – talvez maiores – e reforço no peso eleitoral de Botion, caso ele resolva interferir em 2024 a favor de alguém – e interferirá. Porque, correndo em paralelo a estes fatos, a sucessão ao Edifício Prada começará a ser construída não exatamente por uma oposição, mas pelo que designarei como “forças alternativas”. Três delas atuarão nos corredores da Câmara Municipal, a primeira envolvendo o nome do vereador Sidney Pascotto. O ex-presidente sempre deixou clara essa pretensão e quanto as demais, Betinho Neves e Nilton Santos perseguirão espaços a todo o momento. Fora do Legislativo, porém, existe uma outra realidade que atende pelo nome de Miguel Lombardi.

Há quem diga que sua interferência pode alterar os rumos das próximas eleições municipais, caso, por exemplo, ela recaia sobre a primeira da fila nesta escala natural. Quem? Érika Tank. A atual vice-prefeita, na verdade, nunca esteve entre as preferidas do núcleo duro do governo, mas caso exista uma chance para sua sobrevivência política, seu nome terá de ser reforçado imediatamente, com o apoio de Lombardi.

Estes são os cenários que, por enquanto, nos reserva 2023, incluindo algumas entregas e inaugurações de obras públicas à favor de um projeto, até agora indecifrável.