Durante os últimos doze meses, em particular, uma das pautas frequentes na chamada “grande mídia” foi o “desmatamento da Amazônia”. O tema é complexo porque não envolve a biodiversidade em si, mas a exploração dos povos indígenas, o avanço da agricultura, desmatamentos e queimadas, incluindo, e claro, o garimpo ilegal.
Como se percebe, é um emaranhado de discussões há muitos anos devidamente catalogadas e cobradas dentro de um espectro de razoabilidade, principalmente devido as dimensões quase continentais somente da área em questão. E depois, porque a festejada “proteção ambiental”, necessária é óbvio, afasta os investidores destas regiões, além do fato de sua precária irrigação de estradas e acessos aos centros de distribuição.
Em regra, de tudo o que vejo e ouço nas últimas décadas indicam para uma direção conclusiva: o Brasil não sabe o que quer ou fazer na Amazônia. E assim, a estratégia de “entregá-la” a uma espécie de curadoria internacional pareceu ser uma saída “amigável”: fica bom para os chamados “povos originários”, para a imprensa – porque tem-se a impressão que, sob controle estrangeiro, há rigor no tenha de ser feito – e para grileiros e desmatadores porque continuarão a correr riscos pela exploração ilegal, que não há a menor chance de acabar. Isso explica porque a Amazônia virou tema central nestas eleições, e tanta “comemoração” com a possível presença do presidente eleito na COP 27, para “recolocar o Brasil na agenda internacional”. Nosso país está entre os dez maiores do planeta, bom que se diga, e me parece que as emergências mundiais passam mais pelo que não fazem as grandes potências, como China e Estados Unidos.
Sim, existe um movimento crescente para o incremento da agenda verde em muitas economias. A sustentabilidade, de fato, se consolida dia após dia no planejamento dos grandes conglomerados, mas não se abre mão tão facilmente de métodos de produção, principalmente do consumo de energia fóssil, de uma hora para a outra. Essa conferência sobre o clima será, como as que a antecederam, apenas palco de discursos eloquentes, encontros midiáticos, mas de prático, produzirá efeitos apenas protocolares, nada mais. Com ou sem Lula, como seria como ou sem qualquer presidente brasileiro.