Enquanto prosseguem as análises e explicações sobre as eleições de domingo, novos pontos chamam a atenção, como a demora do presidente em admitir a vitória de seu adversário e o cumprimento de uma formalidade, de cumprimentar-lhe, algo que ele não fará. Na verdade, isso não aumentará a cotação do dólar, porque o que mais se espera, a partir de agora, é um processo de transição pacífico, transparente e democrático, como a lei determina.

Ora, a hipocrisia com a qual são cumprimentados os vitoriosos nas eleições, é opcional, e foi insistentemente cobrada pela mídia, talvez, como um esperado gesto de constrangimento ao qual se submeteria o presidente Jair Bolsonaro. Como observado, o mais importante me parece ter sido concluído, ou seja, a manifestação de diversas autoridades referendando o processo eleitoral, acolhendo os seus resultados. Talvez a dúvida que ainda persista, e esta observada nos próximos movimentos do presidente, é se ele terá disposição de liderar uma oposição política ao seu sucessor, algo que o tempo será capaz de dizer caso Bolsonaro não o diga pessoalmente. Porque, ainda ontem, as manifestações registradas por seus principais aliados, eleitos para o novo Congresso, indicavam – ainda ao reboque de emoções compreensíveis –, uma forte resistência ao novo governo, incluindo, imaginem, pedidos de impeachment protocolados logo nas primeiras semanas.

Mas a pergunta é: – como os deputados federais sobrevivem sem aval do governante? Para uma reflexão mais próxima da nossa realidade, o deputado Miguel Lombardi, reeleito por nossa cidade, teve boa parte de seu sucesso eleitoral alavancado em verbas dirigidas para o setor de saúde.

Pertencente ao partido do atual presidente, o PL, por mais que ele conheça todas as portas em que deve bater em Brasília, caso a tal “política de coalizão” seja suspensa, ao menos temporariamente, ele e seus pares partidários não conseguirão chegar perto dos prédios dos ministérios, quanto mais de seus ocupantes. Ou seja, a “resistência” ao atual governo, se por um lado pode complicar seus primeiros passos, como a iminente aprovação de uma PEC para bancar o Auxílio Brasil – só assim ela seria formalizada –, por outro deixará os parlamentares engessados em seus próprios orçamentos partidários, o que não dá para fazer muita coisa. As avaliações são muito prematuras, ainda, mas os cenários se desenvolverão até a posse do novo governo, e exigir um comportamento “adequado” do presidente, no tocante à cordialidade, é o que menos importa agora. A transição é o que mais interessa.