No próximo domingo acontecerá o primeiro debate presidencial organizado, mais uma vez, por um “pool” de empresas de comunicação, entre as quais a Rede Bandeirantes, UOL e Folha de S. Paulo. E, a depender da manutenção deste clima pesado em torno das candidaturas, a manutenção de ataques pessoais é o que se pode esperar, de momento. Porém, antes de qualquer análise em torno desta previsão, é preciso compreender a que parte do eleitorado ambos devem dirigir suas atenções, se é que se darão conta disso. Pois, segundo os recortes mais recentes das pesquisas eleitorais, o número de eleitores “disponíveis” está cada vez menor. Em tradução livre, a quantidade de pessoas que ainda podem mudar o seu voto ou que ainda não sabem em quem votar está praticamente reduzida a uma faixa de dois ou três por cento do eleitorado.
Ou seja, matematicamente, para os cientistas de plantão, não existiriam mais os seis ou sete milhões de votos para garantir a reeleição de Jair Bolsonaro. Pois bem. Durante as próximas três semanas, outros fatores se juntarão a esta leitura preliminar, o primeiro deles como se dará a abstenção no segundo turno. Durante o final de semana, inúmeras reportagens conseguiram identificar os motivos que deixaram os eleitores em casa, entre os quais predominaram a “desilusão” com a política e as imensas filas que se formaram em algumas seções eleitorais. Várias pessoas simplesmente desistiram de comparecer às urnas porque não quiseram esperar uma, às vezes duas horas para exercerem seus direitos, fato que foi apresentado em praticamente todo o domingo pelas emissoras de rádio e TV – agora, isso não deve ocorrer devido a escolha de apenas dois números.
Outro fator que deve interferir reside no engajamento dos novos apoiadores de um lado a outro. Porque uma coisa é aparecer na foto, outra é municiar as redes sociais com posicionamentos claros e definidos, além do tradicional corpo a corpo. Finalmente, a pergunta é “como seguirão as campanhas nos estados nos quais haverá segundo turno”. Também a depender da desenvoltura destes candidatos, há margem para o crescimento das candidaturas presidenciais, que estarão de alguma forma coladas em seus representantes estaduais. Por estas razões será interessante acompanhar em que nível se apresentarão Lula e Bolsonaro: se perderão a chance de apresentar estes e outros novos ingredientes, optando pelo bate-boca que, no primeiro “round”, nada acrescentou.