Ainda sobre as eleições, o interior paulista segue como escudo antipetista para que o governo não seja ocupado pelo partido, ao menos tão cedo. E duas curiosidades merecem um olhar mais atento nestas eleições. O primeiro, já registrado rapidamente por aqui, diz respeito ao fragoroso erro das pesquisas eleitorais, que sempre colocaram a candidatura de Fernando Haddad como a preferida dos eleitores. É improvável que o “voto útil”, como ainda tentam explicar os institutos, tenha migrado com tamanha força para Tarcísio de Freitas no dia da votação, o que sugere acreditar que o candidato do Republicanos sempre esteve bem à frente, especialmente sobre os números do governador Rodrigo Garcia, que simplesmente se desidratou como uma flor sem água. O outro aspecto diz respeito à irrelevância de Geraldo Alckmin.

Conhecendo os cômodos do Palácio dos Bandeirantes como ele, e o interior como poucos, o ex-governador simplesmente não conseguiu agregar à candidatura petista um único voto, deixando claro que os eleitores de São Paulo sabem separar os nomes dos projetos. Alckmin, inclusive, caso não atinja seu plano de se tornar vice-presidente da República, dificilmente será eleito para qualquer cargo a que se apresente. Ele tende a carregar por longos anos este manto vermelho que se submeteu a colocar nas costas, e agora? O PT ainda apostará suas fichas em seu improvável peso no interior, ou o esconderá como parece ter feito no primeiro turno?

Tudo leva a crer, no entanto, que a migração de votos de Garcia se dê naturalmente para Tarcísio, porque seria incoerente que estes eleitores escolhessem o PT, mesmo que necessariamente não sejam eleitores do presidente Jair Bolsonaro, padrinho do candidato vitorioso em primeiro turno.

E aqui vale registrar um novo conceito que vemos nestas eleições: a aparição de eleitores não necessariamente bolsonaristas, mas seguidores do que se pode definir como “centro-direita”. Pessoas que se identificam, de uma maneira cada vez mais clara, com pautas conservadoras e que as representem. Se é uma tendencia passageira ou não, o fato desta aparição introduz mais um elemento ideológico que será considerado nas próximas disputas, talvez independentemente dos resultados que sejam apurados no próximo dia 30. Mas, definitivamente, o ex-governador saiu do tamanho de uma formiga nas eleições paulistas, ou seja, o que era improvável se tornou tão real como devastador para sua carreira.