Era de se esperar a modesta cobertura dos órgãos de comunicação sobre o debate realizado pelo SBT no último sábado; aliás, para não passar em branco, ainda domingo a Folha publicou a seguinte chamada: “sem a presença de Lula, audiência do SBT foi inferior a Record e Band”. No portal G1, para não deixar de registrar, a comentarista política Ana Flor estampou em seu comentário: “ausência saiu barato para Lula”.

Mas, fascínio sobre o ex-presidente à parte, o fato é que alguns pontos chamaram a atenção, a começar pela volta de Carlos Nascimento, ausente da TV faz alguns anos, para comandar o confronto. Outro é que o desempenho das mulheres mais uma vez foi elogiável, com direito a brincadeira de “o que é, o que é” de Soraya Thronicke e um aviso dirigido ao presidente: “não cutuque onça com vara curta”, novamente fazendo alusão às suas origens pantaneiras. Aliás, desta vez, Jair Bolsonaro se comportou melhor, tanto nas respostas, como no tratamento ao público feminino, tendo oportunidade de fazer o contrário. Em dado momento, uma jornalista tentou relacionar recentes assassinatos com motivações políticas a sua postura.

A resposta do presidente foi simples, direta e não conteve grosserias. Quanto a Ciro Gomes, o candidato pedetista novamente se mostrou preparado e curiosamente gentil, mas o ponto mais curioso do debate foi a presença do candidato do PTB à Presidência da República, Padre Kelmon. De argumentação simples, ele defendeu as políticas públicas do presidente Bolsonaro, descrevendo como “inacreditável” aquela união de forças para ataca-lo.

Simone Tebet, inclusive, o desprestigiou formalmente, dizendo que, como cristã, jamais se confessaria com ele. Finalmente, Felipe D’Avila mais uma vez se mostrou um estranho no ninho; ele não argumenta, não empolga e não apresenta nada de novo, ao contrário do que propõe a sigla de seu partido. Quanto à ausência de Lula, o fato apenas o livrou de explicar, mais uma vez, os esquemas de corrupção nascidos em seus governos; se os indecisos gostaram ou não, são cenas dos próximos capítulos. Resta saber, agora, como se desenvolverá o último confronto, na Globo, e qual será o seu nível de imparcialidade. Seria ótimo se existisse.