Seja quem for, o próximo condutor das políticas econômicas a partir de 2023 terá um trabalho árduo pela frente, e dependerá mais de fatores externos que internos para proporcionar alguma luz não apenas aos quase 9 milhões de brasileiros a procura de emprego. Tampouco para o contingente maior que se situa hoje na linha de pobreza. No início desta semana, dados divulgados pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) indicaram um salto de 78 para 79% do total de famílias endividadas no País, um recorde. Somente a Serasa Experian estima algo em torno de 67 milhões o número de inadimplentes no País, o maior contingente desde que os estudos são realizados, em 2016.
Não só isso, o Banco Central revelou que somente em agosto, a retirada de recursos da caderneta de poupança superou os depósitos em 22 bilhões de Reais, tendência verificada desde maio e que agora bateu seu próprio recorde. O que caberá ao próximo presidente fazer? Pedir para as pessoas deixaram de se endividar, organizar linhas de crédito populares, aumentar o Auxílio Brasil? Distante das paixões eleitorais, o grande agente que corrói qualquer economia se chama inflação, que é o amento de preços que a sociedade paga para adquirir um mesmo produto ou serviço algum tempo depois. E o que mais afetou a economia mundial, que tentava se recompor depois de dois anos da falta de previsibilidade devido à pandemia, foi o conflito que envolveu Rússia e Ucrânia.
As questões energéticas e alimentares foram duramente castigadas – e ainda são – e o desequilíbrio entre oferta e demanda atingiu dois pontos essenciais. Reparem, portanto, o quanto o preço dos produtos que compõe as gandolas dos supermercados não diminui de modo significativo. Ou seja, a reorganização financeira de uma família passa por muitas despesas evitáveis, mas do sustento não. E o dinheiro gasto para continuar comprando um litro de leite a quase 8 Reais, quando custava 4, e outros itens essenciais que subiram em igual proporção simplesmente foi embora, não volta mais. Daí o endividamento colossal: para a sobrevivência diante de cenário que ainda levará algum tempo para se ajustar, seja qual for o próximo presidente.