De tempos em tempos aparece uma nova medida dos órgãos de proteção aos consumidores tentando evitar abusos nas relações comerciais. As mais corriqueiras se referem a ligações telefônicas ou envio de mensagens em massa. Depois que os tais robôs entraram na vida dos marqueteiros, ficou muito simples o contato permanente com os clientes de uma determinada empresa. Porque é quase uma regra informarmos, nos cadastros, além de endereço de e-mail, o número do telefone celular. Mas existem tipos diferentes de incômodos, ainda que produzam os mesmos efeitos. Um deles é aquele que oferece produtos ou serviços os quais não nos interessam. Outro é quando esquecemos de pagar uma conta.
Uma vez fui contemplado com mais de dez contatos em um único dia, só porque me esqueci de pagar um boleto de internet. Dez! Fico imaginando, então, outras situações que devem incomodar um ser humano. Dever para a Justiça, por exemplo. Há quem não dê o mínimo para isso, mas já imaginaram um político que passa mais da metade de sua vida tendo que responder a demandas judiciais?
Como é acordar sabendo que, além dos telefonemas que serão dados pelas empresas, podem aparecer outros de escritórios de advocacia, anunciando decisões e prazos para recursos? Não deve ser nada agradável, e este é o caso da família Felix. É impressionante o número de imbróglios nos quais o chefe do clã, sua esposa e seus filhos estão metidos. Não há um mês no calendário sem que alguma sentença seja proferida em desfavor de alguém e a mais recente uma delas pede a restituição ao erário de nada menos de 254 milhões de Reais.
O caso, inclusive, foi um dos mais complexos da história política na cidade, porque envolveu um trabalho de investigação do Ministério Público de grande alcance. Para refrescar a memória, há pouco mais de dois meses, a Justiça condenou toda a família, incluindo laranjas, por abuso de poder econômico. Os embargos já foram julgados, considerados improcedentes, e aguarda-se a qualquer momento o cumprimento da sentença: a perda dos atuais mandatos. Mesmo assim, pai e filho estão “unidos para o bem de Limeira”, como dizem seus santinhos eleitorais. Bem, de santo parece não haver ninguém nesta família, e cada vez mais os eleitores não devem se deixar iludir por algo que eles fazem de melhor: mentir.