Existem duas situações às quais os times de futebol se submetem durante os torneios que participam: como “mandantes” ou “visitantes”. No primeiro caso, as chamadas condições extracampo são totalmente positivas: a torcida é favorável, o gramado, conhecido e até os “gandulas” possuem instruções para retardar o andamento do jogo quando a vitória ainda não está garantida.

Ao contrário, quando um clube visita o seu oponente, sabe que encontrará um ambiente hostil – a depender da divisão ou do nível do campeonato, o próprio vestiário recebe pintura nova para intoxicar os jogadores. Dentro de campo, porém, existe uma velha máxima: são onze contra onze, ainda que componentes psicológicos possam pesar com maior ou menor intensidade – os mais experientes se abalam menos, vale acrescentar. Jair Bolsonaro esteve no campo adversário ontem à noite, por isso sua entrevista a Jornal Nacional permaneceu cercada de expectativas até acontecer.

Entre seus apoiadores mais sensatos, esperava-se uma postura quase de neutralidade diante dos esperados ataques; do lado contrário, a torcida era para que ele se perdesse em devaneios e arroubos, beirando ao desequilíbrio emocional. Como era de se esperar, Willian Bonner mais provocou que perguntou, postura igualmente adotada por sua coadjuvante Renata Vasconcelos em suas raras intervenções.

Em nenhum momento discutiu-se, como recomendam os manuais de jornalismo, planos para o futuro do País, portanto analisar uma entrevista deste nível somente será plausível quando o ciclo com os quatro principais candidatos à presidência estiver completo. Ou seja, se os entrevistadores manterão um discurso acusatório contra todos, e daí ver-se-á alguma coerência. Porque, Bonner e Vasconcelos não conseguiram manter um grau de impessoalidade em suas perguntas, muito por conta de pertencerem a um grupo de mídia declaradamente opositor ao governo federal, e deve seguir suas orientações. Ambos estiveram mais para caçadores de fama passageira – como agem, hoje em dia, os youtubers, e ambos não parecem quem precisam disso – do que responsáveis pela apresentação de um jornalístico de tamanho prestígio.

Quando ao desempenho do candidato, nenhuma novidade. Ele conseguiu se dirigir para quem sempre fala, quando joga “em casa”, defendeu suas posições e se esquivou – como todo o político faz – das bolas divididas quando apareceram. Aparentemente não ganhou, nem perdeu intenção de votos.