Na semana passada travou-se um debate interessante contrapondo idade e capacidade de governar. Tudo porque a imprensa norte-americana repercutiu um compilado contendo as principais gafes cometidas pelo residente Jor Biden, entre as quais uma que desconhecia. Ao reproduzir, recentemente, um discurso exibido em um telepronter, Biden leu o texto literalmente, inclusive os avisos que deveria “pausar e respirar”, o que causou imenso constrangimento em sua equipe. Faz pouco tempo, também, ele aproveitou uma ensolarada manhã de domingo percorrer um pequeno trecho de bicicleta, talvez para expor sua boa saúde. Porém, ao chegar ao seu destino, onde estavam simpatizantes e repórteres, ele simplesmente não conseguiu descer e acabou caindo para desespero de quem o observava.

Os “foras” do presidente norte-americano não constituem uma característica recente, é verdade. Tanto é que causava aflição em sua equipe todas as vezes em que ele se preparava para enfrentar Donald Trump nos debates eleitorais. De volta à discussão, as dúvidas se concentraram na atual capacidade de Biden em comandar a nação enquanto exibe traços de senilidade. Se elas existem ou não, o fato é que a rede CNN acaba de divulgar uma pesquisa informando que nada menos que 75% dos democratas norte-americanos não gostariam que seu nome fosse indicado para 2024, um aumento percentual expressivo comparado aos números do início do ano. Uma leitura mais atenta, contudo, extrai outros motivos, que não exatamente a “capacidade de governar” como inibidores de uma possível tentativa de reeleição.

A inflação nos Estados Unidos continua próxima de dois dígitos, o preço dos combustíveis ainda é alto e os reflexos da política externa estadunidense, em especial em relação ao conflito Rússia-Ucrânia, devastaram sua popularidade, mas afinal, o que pesa mais? Na mesma discussão, o assunto relacionou a ideia de senilidade com a candidatura do ex-presidente Lula, que inclusive chegou a declarar que, se eleito, não tentaria um quarto mandato. O candidato petista, mesmo para quem não o acompanha com entusiasmo, demonstra ser uma outra pessoa, ou quem realmente sempre foi. Um ser raivoso, dono de um discurso mofado e repleto de mesmices. De novo, incluiu em sua verborragia ataques à quem vasculha o lixo de sua casa para conhecer seus rótulos prediletos de vinhos – que, por sinal, chegam a custar 5 mil Reais a garrafa.

Caras e bocas que remetem a uma outra dúvida: o Brasil precisa de alguém que o governe com o fígado nos próximos anos? É algo ainda não avaliado por boa parte dos eleitores.