Ainda que tenha diminuído em número de fiéis nos últimos tempos, a igreja católica continua a exercer uma enorme influência no modo de pensar e agir de milhões de pessoas. E, independentemente das orientações religiosas, em paralelo seguem recomendações importantes para toda a humanidade. Seu atual líder, o Papa Francisco, desde que colocou em seu dedo o “anel de pescador”, tem se notabilizado por manter um perfil progressista, para inquietação dos setores mais ligados à doutrina clássica e ao silencio dispensável diante de questões mais emergenciais. Jorge Mario Bergoglio, o 266º sucessor de Pedro, não, e desde seus primeiros passos indicou que é preciso avançar. Suas pegadas sinalizaram mais tolerância com as diferenças, maior alcance no acolhimento dos necessitados e, surpreendentemente, um espaço extra para a contribuição feminina na igreja. Agenda, por sinal, que foi cumprida na semana passada, quando duas freiras e uma leiga foram indicadas para participarem de um comitê anteriormente exclusivamente masculino, que o aconselha na escolha dos bispos do mundo. Porém, entre tantos desafios, como o de observar com apreensão o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, ele nunca escondeu sua preocupação com o meio ambiente, assunto nem sempre exaltado pelos cardeais. E, com a envergadura de um evangelizador, o Papa Francisco voltou a se manifestar sobre este tema na semana passada, quando se pronunciou aos jovens. Ele disse que “é urgente reduzir o consumo não só de combustíveis fósseis, mas também de tantas coisas supérfluas”, acrescentando que “também, em algumas áreas do mundo seria conveniente consumir menos carne: isso também pode contribuir para salvar o meio ambiente”. Parece uma pregação no deserto, mas está longe disso, porque ele utiliza, como exemplo, de uma das maiores preferência em sua pátria, a Argentina. Seria o mesmo que um Papa brasileiro pedisse para que o mundo diminua o consumo de feijoada. Claro, seu objetivo final foi outro: pedir aos jovens que não caiam nas tentações da superficialidade, na ostentação e no consumo desenfreado e imotivado racionalmente. Pregar é isso. É, mesmo não sendo ouvido como gostaria, bater a poeira das sandálias e prosseguir. A Bíblia orienta, as mãos escrevem, o coração dirige. Diante dos rumores de sua aposentadoria precoce em razão de problemas físicos, o mundo perderia muito se isso acontecesse, porque chegar em algumas vezes não é o mais importante; e sim, indicar o caminho para os que venham atrás.