Entre as inúmeras formas pelas quais as empresas se apresentam aos consumidores, o telemarketing é uma das mais antigas – e chatas. E, ultimamente, ficaram insuportáveis, porque ao contrário do modelo tradicional, agora estas chamadas são feitas via inteligência artificial. Ou seja, ficou no passado a imagem de uma operadora diante de um aparelho telefônico com seus fones de ouvido devidamente adaptados. Hoje em dia, de posse de informações nem sempre obtidas de maneira regular, esses “robôs” fazem contato alternado e repetitivo com clientes ativos ou não, com variações de crueldade que impressionam. Por exemplo, quando um robô liga para transferir a ligação ou ao contrário, um humano liga para deixar o serviço para um robô. É um negócio absurdo e, como não seria normal uma central dessas ligar dez ou quinze vezes para uma pessoa, imagina-se que o método tem mesmo o objetivo de incomodar.
Com o tempo, várias medidas têm sido tomadas pelos órgãos de proteção ao consumidor e agora ao menos 180 empresas, que ligam diretamente para o consumidor ou que servem como call centers terceirizados, entraram na “mira” da Secretaria de Defesa do Consumidor e dos Procons de todo país devido ao “telemarketing abusivo”. O Ministério da Justiça publicou no Diário Oficial uma medida cautelar que suspende os serviços e dá dez dias para as empresas se defenderem.
A título de esclarecimento, “o contato por telemarketing é considerado abusivo sempre que uma empresa liga em horários inapropriados ou repetidas vezes para o consumidor”. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), entre janeiro de 2019 e junho de 2022, houve o registro de 6.085 reclamações; já o site consumidor.gov.br recebeu 8.462 queixas. A ouvidoria do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor chegou a registrar reclamação de um idoso que contou ter recebido mais de 3 mil ligações em seus cinco números de celular, mas, não comemore ainda. Porque as chamadas de cobrança seguem permitidas, que também são abusivas.
A depender dos dias em atraso, escritórios de advocacia e empresas afins tornam insuportável a vida de qualquer pessoa, pois fazem uma espécie de rodízio entre seus membros ligando pelo mesmo motivo. E tudo incomoda: desde o número de chamadas até o cumprimento daquele longo protocolo de “segurança”, no qual se completa o número de CPF, etc. A resposta contra estes abusos é válida, mas como sempre se tornará ineficaz em poucas semanas.