Pela quarta vez consecutiva, Ciro Gomes será oficializado hoje candidato à presidência pelo PDT, partido o qual praticamente governa, como se fosse um estado autônomo. Seguindo esta agenda, nesta quinta está marcada a convenção do PT, que referenda a candidatura do ex-presidente Lula e, no sábado, está marcada a convenção do Avante, em Belo Horizonte, que tem como pré-candidato o deputado federal André Janones; no domingo, o PL confirmará a candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Se nada mudar, Leonardo Péricles (UP) deve ser oficializado também no dia 24; Simone Tebet (MDB), no dia 27; Felipe d’Ávila (Novo), Pablo Marçal (Pros) e Sofia Manzano (PCB), no dia 30; Vera Lúcia (PSTU) e José Maria Eymael (DC), no dia 31; e Luciano Bivar (União Brasil), em 5 de agosto. Ah, está faltando o Cabo Daciolo, mas vamos ao que interessa, porque não faltam nomes igualmente exóticos nestas convenções.

O ex-governador cearense, inegavelmente, é um dos quadros mais preparados do ponto de vista técnico. Aliás, assim se apresentou nos últimos pleitos: como um palestrante bem articulado, dono de ideias as vezes improváveis, as vezes interessantes, mas por que não emplaca? Quando o nome de um político envelhece, ele carrega episódios bastante explorados por seus adversários e principalmente pela imprensa.

E Ciro colecionou, ao longo da vida, uma série de rotulagens, especialmente machistas e raivosas, que não se alinham com o eleitor comum. Recentemente, ao passar por uma feria de negócios em Ribeirão Preto, ele foi extremamente grosseiro com pessoas que lhe provocavam, ofendendo a mãe de uma delas, inclusive. Tratava-se, obviamente, de um reduto de bolsonaristas, mas que tipo de reação ele poderia supor que iria provocar? Ao que tudo indica, Ciro disputará a presidência pela última vez, porque a existência, até meses atrás, de uma janela para o crescimento da terceira via, dificilmente se dará novamente. E ele, se soubesse reconstruir parte de sua imagem e assim se apresentasse para este eleitor, que não busca nem a direita, nem a esquerda, estaria melhor colocado nas pesquisas. Como observamos, Ciro é o “dono” do PDT, e atualmente, devido aos recursos do fundo eleitoral, isso confere um poder absolto a quem mantenha as chaves do cofre. Disputar a presidência, em muitos casos, é apenas uma formalidade para mantê-la em mãos.