Termina hoje o prazo para o registro de uma novidade no sistema eleitoral brasileiro, a Federação Partidária. Até agora protocolaram suas intenções junto ao TSE: PT-PCdoB-PV, Rede-PSOL e PSDB-Cidadania, o que equivale dizer que nos próximos quatro anos estes partidos devem trabalhar de maneira “unificada”, valendo para eleições majoritárias ou proporcionais. As penalidades para quem deixe as federações são severas, por exemplo, como a perda de acesso ao fundo partidário até o sim do prazo estipulado no registro. Entretanto, para fins de contagem eleitoral, Fernando Alencastro, do TSE, explica que “As federações fazem com que as votações dos partidos sejam somadas.
Se os partidos A, B e C formam uma federação, suas votações se somam para atingir X cadeiras no Legislativo, que serão distribuídas entre os candidatos mais votados. Se os três mais votados, por exemplo, forem do mesmo partido, eles ficam com as vagas. Elas não precisam ser distribuídas entre os que formam a federação”. Isso se assemelha muito às conhecidas coligações, que na prática serviam apenas para interesses passageiros, mas não se aplica no caso das federações e aqui surge um aspecto interessante: a ideologia.
Desde a eleição de Jair Bolsonaro, este é um aspecto a considerar-se no mapa eleitoral, e percebe-se que até hoje, mantendo-se as federações acima descritas, estarão unidos daqui por diante partidos de extrema esquerda e centro esquerda, se assim podem ser classificados. E há quem tenha visto, meses atrás, um avanço no sistema eleitoral caso vinguem e se popularizem as federações, mas qualquer sinalização, hoje, é prematura.
Na prática, o problema não se concentra em como votam os partidos, mas o exagerado poder de seus comandantes. Isso impede o aceso de novos quadros na política, privilegia os “bons de voto” e deixam os eleitores com as mesmas opções. De todo o modo é preciso dar tempo ao tempo, pois são tão raras as novidades no processo eleitoral que, mesmo estranhas como essa, devem ter prazo para se mostrarem interessantes principalmente para quem vota.
Sabemos que, no fundo, aspectos ideológicos não se incluem em escala de valores quando outros interesses estão próximo do poder, vide como governa o “centrão” nos últimos meses. A conferir, não em breve, mas em algum tempo.