Representante da Decolar, um dos maiores sites dedicado à venda de pacotes turísticos, informas que voltaram, com toda a força, as atividades neste setor. Em reação ao mesmo mês do ano passado, o aumento de operações foi da ordem de 30% e, segundo apurações internas, ainda existe uma forte demanda represada em função da pandemia. Os destinos nacionais, como o Nordeste, continuam entre os preferidos, mas as viagens internacionais também estão no radar dos turistas, mesmo com a moeda norte-americana estacionada na casa de 5 Reais, e aqui surge uma primeira curiosidade: o preço das passagens aéreas, ao contrário do que se imaginava, continua elevadíssimo, e só não cai porque a procura continua forte. Ou seja, se as companhias contabilizaram enormes prejuízos na crise sanitária, elas continuam se recompondo financeiramente a custa de, digamos assim, este apelo do viajante em não perder mais tempo. Sobre isso, à propósito, tem aumentado o número de pessoas que refletiram muito durante a pandemia sobre a finitude da existência. Parece que despertaram de um modo automático e, ao menos neste primeiro momento, estão abandonando algumas rotinas dispensáveis ou, em outras palavras, menos produtivas. Isso explica muitos fenômenos como, por exemplo, o fato de as estradas continuarem lotadas todas as sextas e domingos. Neste final de semana, mesmo, unindo alguns interesses, desloquei-me para o litoral e a constatação foi evidente. Mesmo sem previsão de sol e com as temperaturas baixas, a Rodovia dos Imigrantes estava lotada na ida e na volta; no entanto, as praias, não. Os restaurantes, sim, mas apenas os mais badalados, frequentados por pessoas que não dependem de promoções para acessá-los. É interessante observar esta movimentação, mas é bom lembrar que o preço dos combustíveis continua proibitivo, no setor alimentício também é forte o peso da inflação e, até onde sabemos, o mundo não está prestes a acabar. A euforia não pode encobrir uma situação econômica ainda complexa, que tornou um, em cada quatro brasileiros, profundamente endividado.