Estudo realizado pela Consultoria Tendências apontou que mais da metade dos domicílios brasileiros está abaixo da linha da pobreza, ou seja, 50,7% recebem renda mensal domiciliar de até R$ 2,9 mil, pertencentes às classes D e E, enquanto 33,3% têm rendimentos entre R$ 2,9 mil e R$ 7,1 mil. A classe média tradicional, ou “B”, com renda entre R$ 7,1 mil e R$ 22 mil, representa 13,2% e a classe A, com rendimento superior a R$ 22 mil, equivale a 2,8%. Os pesquisadores utilizarem várias fontes de dados do IBGE e do Governo Federal, e concluíram que “mesmo antes da chegada da pandemia, havia desigualdade; com ela, um cenário não positivo piorou ainda mais, os grupos de maior vulnerabilidade sofreram com a alta da inflação e deterioração do mercado de trabalho”. Em resumo, o Brasil possui um “grande número de pobres e pequeno número de muito ricos” e “não deve apresentar mobilidade social significativa nos próximos anos”, devido, especialmente, à situação do desemprego. Isso reitera, parcialmente, aquilo que temos observado em torno das eleições, ou seja, que o desempenho da economia, mais uma vez, terá um peso enorme para construir a decisão dos eleitores, explicando em parte porque o ex-presidente segue firme na corrida sucessória. Lula, que teve o mérito de não destruir o Plano Real, beneficiando-se de um período de prosperidade mundial, ainda frequenta o imaginário daqueles eleitores que enxergam, em sua eleição, a volta de um passado que, atualmente, é tão incerto como jogar na loteria. Independente de quanto tempo dure a guerra entre Rússia e Ucrânia, o que não deve ser desprezado, o fato é que o solavanco provocado pela pandemia ainda não passou, reaquecido agora por uma crise alimentar que se avizinha em função das incertezas na produção e distribuição dos insumos agrícolas. Tamanha é a apreensão dos investidores que as recentes medidas de confinamento impostas na China foram suficientes para inquietações, vide volatilidade no câmbio e no preço do petróleo. Portanto, sem tempo para entregar um país economicamente mais fortalecido até outubro, as pautas da reeleição de Bolsonaro serão outras até lá, porque será difícil devolver o país aos trilhos na velocidade que precisamos. Por este aspecto, Lula continua contribuindo a favor do presidente, porque não consegue dizer nada que seja novo, esperado e palatável. Quanto mais fala, pior fica. E enquanto isso, segue metade do país abaixo da linha da pobreza, olhando para as eleições entre a cruz e a caldeirinha.
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