ANTES DE qualquer prognóstico sobre o Derby deste sábado é interessante reler – ou rever – o que Flamengo e Palmeiras fizeram neste meio de semana. O duelo, que chamaria a atenção por si mesmo, ganhou protagonismo porque, pela primeira vez, Paulo Souza foi reconhecido pela torcida rubro-negra.
ISSO SIGNIFICA dizer que, desde que chegou à Gávea, o técnico português só agora ajustou a potencialidade de seus atletas dentro de sua visão de jogo. Não será Jorge Jesus, nem hoje, nem amanhã, e parece que finalmente a “nação” percebeu que aquele Flamengo foi um ponto fora da curva.
VOLTO AO assunto porque a própria crônica esportiva não o deixa sair da pauta, tentando se certificar de uma resposta de múltipla escolha: afinal, aquela forma de jogar não será repetida jamais? A resposta é: não.
JORGE JESUS teve alguns fatores que o beneficiaram dentro e fora de campo. Pense nisso: se todas as vezes que estiver na estrada você só escolhe a velocidade máxima, a chance de frequentar uma oficina aumenta potencialmente.
NAQUELA época, a “novidade” Jorge Jesus surpreendeu por exigir o máximo de seu elenco, abrindo mão de revezamentos. O Flamengo marcava praticamente no campo de ataque e o futebol era vistoso porque todos os setores eram preenchidos.
SEU GRUPO não apenas compreendeu como se empolgou com os resultados, e houve um outro detalhe que somente agora fica evidente: todos os atletas viviam uma espécie de apogeu físico e técnico.
BRUNO HENRIQUE e Gabigol, por exemplo, apresentavam um entrosamento perfeito, Felipe Luís era importante pela esquerda e Gerson, hoje distante, equilibrava como ninguém as ações da meia cancha. Para completar, o trabalho dos departamentos de fisiologia e desempenho físico também fez a diferença.
O FLAMENGO de hoje joga em uma espécie de 4-2-3-1 para compensar o declínio técnico e físico de algumas estrelas, que agora parece ser assimilado. Esse problema do futebol brasileiro, ou seja, de não haver tempo para o amadurecimento de um trabalho, é um fator que impede resultados em curto prazo.
QUANTO ao Palmeiras, que até agora somou dois pontos de nove possíveis no Brasileirão, os indícios que “ficou pronto” antes do tempo parecem se acentuar. A busca pelo Mundial exigiu muito do elenco, algo que o título paulista só mascarou. Ainda que tenha feito uma boa partida no Maracanã, faltou inspiração, que começa na cabeça e termina nas pernas.
O CORINTHIANS, por sua vez, será um franco atirador, teve uma semana inteira para treinar seu elenco titular e entrará em campo disposto a mostrar que não é uma tartaruga em cima de um poste. O problema é que, além da instabilidade tática, parece ainda não ter encontrado aquele famoso “onze titular”. Um empate não seria um mau resultado, ao contrário do que será para o seu adversário.
A ESPERADA estreia do Independente na quarta divisão do futebol paulista finalmente acontecerá neste domingo, às 10 horas no Pradão, quando receberá o Rio Branco de Americana. Daí para frente serão quatro meses de despesas, angústias e tomara, de alegrias para o torcedor, que aliás deve prestigiar esta nova faixa de horário.
PELA SÉRIE D a Inter recebe o Pouso Alegre neste sábado, as 16h, no Limeirão. Futebol demonstrado na estreia não empolgou os torcedores, mas é muito cedo para avaliar. Ótimo final de semana, amigos!