Até hoje, há quem ainda entenda que as eleições deveriam ser feitas de uma vez só, no Brasil. Ou seja, que ofereçam aos eleitores a possibilidade de escolher do presidente a um vereador, obviamente, depois que alguns mandatos pudessem ser “esticados”. A adesão a essa teoria é baixa em todo o mundo, principalmente porque embora não conversem diretamente, cargos federais, estaduais e municipais impõem contrapesos no poder. Pensando bem, seria temerário que as necessidades nacionais se sobrepusessem aquelas observadas nos bairros, praças ou postos de saúde, e agora nos aproximamos de uma discussão difusa.

Ainda considerada por alguns cientistas políticos como um fenômeno eleitoral, a campanha que levou ao Palácio do Planalto o atual presidente volta as ruas – se é que um dia saiu – atraindo opostos, de amor e ódio. E o mais curioso, nesta altura do campeonato, é que mais uma vez pautas consideradas prioritárias estarão fora de combate, como o desempenho da economia. Isso é um método, não é mera curiosidade. FHC se beneficiou do Plano Real para permanecer oito anos no poder, algo herdado e bem conduzido pelo ex-presidente Lula, que ainda emplacou sua candidata quando ainda beiravam as praias as últimas manifestações desta onda.

A pauta de costumes, porém, não deve ser subestimada mais uma vez, tal e como o engajamento de seus defensores. O antipetismo, por exemplo, ainda é uma bandeira de significativas proporções, e os exemplos se multiplicam. Um fato, revelado ontem, chamou a atenção. Uma funcionária do grupo Havan gravou uma cena, no interior de um ônibus, na qual foi hostilizada por uma filiada petista, que dirigiu a esta jovem, de 19 anos, palavras ofensivas e discriminatórias. Não demorou muito tempo para que o gestor do grupo, Luciano Hang, ativista político e defensor do presidente Jair Bolsonaro, se colocasse ao lado da colaboradora para prestar-lhe solidariedade e posicionar-se contra o Partido dos Trabalhadores. É obvio que houve exagero de ambas as partes, e ainda ontem outra celebridade foi envolvida em fato semelhante. Xuxa, a “rainha dos baixinhos”, foi “acusada” de não se deixar fotografar por uma jovem bolsonarista. Enquanto isso, a cantora Anita batia boca com o presidente pela internet, reivindicando o verde-amarelo para os brasileiros, e assim segue o jogo eleitoral, que no mesmo dia, ainda incluiu um fato insólito: a possível renúncia de Lula como candidato em outubro. O motivo? Um pedido de sus namorada.

As narrativas não param, as motocicletas aceleram e as contraposições se multiplicam, contribuindo para a reversão – momentânea – de um cenário eleitoral que parecia consolidado. As discussões são sempre saudáveis, mas “a que preço”, deixam suas dúvidas.