Algo que não se via há pelo menos três décadas está prestes a acontecer. Os eleitores de São Paulo tendem a colocar outro partido para dirigir o estado, segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo instituto DataFolha na última sexta-feira. Fernando Haddad (PT), com 29%; Márcio França (PSB), com 20% e Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 10% dividem a preferência de dois terços do eleitorado. Na incômoda quarta colocação está Rodrigo Garcia, ex-vice de João Dória e atual pré-candidato do PSDB, com apenas 6%, e a ele dirigimos as primeiras considerações. Fragmentado como está, o partido tucano não poderia contar com outra situação, por alguns fatores não apensas visíveis como compreensíveis.

Dória, personalista como é, jamais dividiu as atenções em suas coletivas de imprensa – diárias durante o auge da pandemia – com Garcia, preferindo expor membros do Instituto Butantan e de seu comitê científico. Chama atenção, contudo, é que apesar disso, o agora ex-governador sempre foi paparicado em nosso Interior, mas indica que os tapinhas nas costas que recebeu, e isso de dezenas de prefeitos, foram apenas isso, nada mais.

O engajamento em torno de seu nome simplesmente não aconteceu e pode não acontecer para o seu indicado. Quanto aos demais, as explicações são as próprias evidências recentes. Haddad já foi prefeito da Capital e, nas últimas eleições presidenciais, chegou ao segundo turno com folga ante os demais concorrentes. Ou seja, ele está fixado no imaginário do eleitor e impõe, sobre seu nome, a sombra de um padrinho de peso, Lula.

O mesmo se aplica a Márcio França, que por pouco não ganhou de João Dória as eleições de 2018, como governador, ainda que dois anos depois, disputando a prefeitura de São Paulo, tenha ficado apenas na terceira colocação. De terceira, França se consolida como segunda via em São Paulo, e caso consiga administrar sua campanha de modo a contabilizar apoios em um provável segundo turno, aumentará muito suas chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Isso, é claro, se não for convencido pelo PSB (partido de Alckmin, que será vice de Lula) a desistir.

Quanto a Tarcísio de Freitas, ex-ministro bolsonarista e um ilustre desconhecido em São Paulo, sua candidatura nasceu com estes patamares em função da capilaridade de comunicação do presidente. É evidente que, assim como os números de Jair Bolsonaro podem crescer nos próximos meses, os seus, também. Particularmente ficaria surpreso se chegasse ao segundo turno, mas é uma hipótese que não deve ser descartada, não por uma provável queda de França, mas pelo próprio motivo que proporcionou seu salto para a terceira colocação: a capacidade dos impulsionadores.

De qualquer forma, o risco para os tucanos seguirá considerável e rumo a um desfecho melancólico, porém, que um dia aconteceria. Nunca entendi, por exemplo, porque Limeira jamais esteve no mapa dos investimentos do governo estadual, que sempre, eleitoralmente, o tratou muito bem. Esse casamento até que durou demais.