Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, algumas estatísticas saltaram aos olhos na manhã desta terça-feira, nada animadoras. A mais visível foi a de que, entre 170 países pesquisados, o Brasil ocupa a 80º posição entre os melhores para o desenvolvimento do universo feminino. O estudo levou em consideração “a inclusão das mulheres, o aceso à justiça e segurança” e, como era de esperar, os países nórdicos abocanharam as primeiras posições. De acordo com a evolução dos dados, está claro para os pesquisadores que a continuidade de políticas públicas, voltadas às mulheres, abre facilitadores para o chamado “pé de igualdade”, mas ainda há muito a ser feito. A defasagem salarial ainda é um grande problema e quanto à violência, tudo leva a crer que, no auge da pandemia, em 2020, uma a cada quatro mulheres com idade acima dos 16 anos sofreu algum tipo de violência, o que representa algo em torno de 17 milhões de brasileiras. Ou seja, é possível uma leitura simplista para este fato: a convivência mais acentuada entre homens e mulheres impôs a necessidade de diálogo, compreensão e especialmente divisão de tarefas, o que, diante de um desequilíbrio, rebaixou, em diversas situações, a condição de companheiras à vítimas. Não há a menor dívida que este é um fenômeno em movimento, se incluirmos questões mais simples, por exemplo, como acesso ao voto. Se considerarmos que esta possibilidade surgiu, em nosso país, apenas em 1932, não é preciso ir além. É uma marcha contínua, portanto, e estará sempre sujeita a recuos para avançar, mas será permanente. Muito porque, embora casos de violência – física, psicológica afetiva – ainda demorem para ganhar publicidade, as chamadas mídias sociais se encarregaram de escancarar toda a sorte de abusos, além de um fato instigante: a exposição de desejos, opções e escolhas. Para o machismo estrutural no Brasil, isso convida para a reflexão, nem sempre tolerada, tornando-se algo provocativo para os ermitões da consciência. De qualquer maneira, as datas impõem homenagens, porém, acima de tudo, um ponto de recomeço. Com resiliência, seguirão as mulheres em busca de suas conquistas, algumas anda distantes, outras em plano desenvolvimento, mas é um caminho sem volta. Boa sorte aos que compreendem, se engajam e se preocupam em abreviar este tempo de conquistas que é próprio, mas que pode – e deve – ser antecipado. Isso vale para todos nós.