O ministro da economia, Paulo Guedes, foi o centro das atenções do programa Direto ao Ponto, transmitido ontem à noite pela rede Jovem Pan. Ainda que entrevistado por uma bancada desentrosada com a macroeconomia, o apresentador Augusto Nunes se encarregou de fornecer subsídios para o aprofundamento de algumas questões, entre as quais seu futuro caso a atual administração federal permaneça. Sobre isso, à propósito, o jornal Folha de S. Paulo fez o seu recorte, publicado hoje em suas edições on-line e impressa, e aqui cabe uma ressalva. A função de um jornalista, como agente não especializado em qualquer assunto, exceto o seu ofício, é decodificar um conjunto de informações, que muitas vezes se perde em números, estatísticas e conceitos. Guedes, como prefere se pronunciar, tratou com sua conhecida retórica idas e vindas da economia nos últimos quarenta anos, como acentuou, concluindo que os modelos que se apresentaram estavam “exauridos”. Neste contexto, e aqui fechando a visão publicada na “Folha”, havia material mais interessante em contraposição à sua permanência, ou não, em 2023, mas essa e outra história. Por exemplo, a agenda de reformas. Indagado sobre a questão, o ministro priorizou a questão tributária, voltando a defender, com entusiasmo, as privatizações, dirigindo duras críticas ao papel da Eletrobrás. Segundo ele, os monopólios ligados ao setor energético, no Brasil, são uma herança dos governos militares, porém seus modelos não foram atualizados nas últimas décadas no Brasil, ilimitados na ausência de livre mercado. Na seara política, o ministro foi enfático ao dirigir ao senado a responsabilidade de concluir parte desta agenda, obviamente prejudicada por vivermos um ano eleitoral. Sobre o mercado de trabalho e a situação econômica do Brasil, pós-pandemia, ele voltou a justificar, com a ilustração de números, que o país está, novamente, “pronto para voar”, e defendeu com veemência o auxílio prestado pelo governo, com o uso da tecnologia digital, aos chamados “invisíveis”. Em decorrência disso, segundo sua análise, não somente a economia pôde se recuperar em menos tempo, como irrigou financeiramente estados e municípios que, inegavelmente, começaram 2022 com seus cofres abarrotados de recursos. Finalmente, para explicar como o governo encontrou os recursos necessários para esta injeção, o ministro observou que foram estabelecidas várias intervenções em diferentes setores na economia, entre as quais a venda de ativos para a investimentos na diminuição das dívidas. O congelamento de salários pagos ao funcionalismo, também em sua visão, ofereceu grande contribuição, fato que, incontestavelmente, é polêmico – o Brasil, para “existir”, construiu um arcabouço de proporções gigantescas. Não há dúvidas que o otimismo do ministro não encontra respaldo na vida real. É um discurso feito do alto de uma bem-sucedida carreira na vida privada, mas que até agora não foi suficiente para penetrar especialmente no bolso da quem tenta sobreviver. A pandemia só explica parte das intercorrências, e o que sobra ainda é pouco para alimentar o sonho da reeleição de seu chefe.