Quer deixar um jornalista “nervoso”, basta perguntar algo que ele não sabe, viu ou ouviu. Em nosso comentário de ontem, algumas considerações foram feitas sobre o encolhimento da mídia tradicional, muito em conta da diminuição do apoio publicitário, principalmente no Brasil. O deslocamento destas verbas para players mais baratos e de certa forma donos de probabilidades numéricas mais sólidas, implodiram as redações. Hoje, qualquer pessoa disposta a falar bobagens rotineiramente desperta enorme curiosidade, como parece ter sido o caso do tal “Monark”. Sinceramente somente ontem fui “apresentado” à sua carreira, que começou discreta em uma pequena sala em Curitiba, e aposto que não perdi nada.

Me perdoem se não me aprofundei em pesquisar o que ele e seu companheiro de bancada disseram em mais de 500 programas, mas o fato é que ambos chamaram a atenção com o Flow Podcast, inicialmente projetada para tratar de games. O sucesso foi rentabilizado rapidamente, a ponto de os novos “estúdios” ganharem as ruas da capital paulista, e os números deveriam ser bons, mesmo.

Gigantes como a Amazon, iFood, Bis Lacta, Pumma e Ragazzo eram patrocinadores da plataforma, que também atuava no setor esportivo – transmitindo o campeonato carioca, inclusive. Os entrevistados eram ilustres. O ex-juiz Sergio Moro esteve recentemente na bancada e no episódio que desencadeou esta série de protestos e cancelamentos, estavam presentes dois expoentes da política nacional, Taba Amaral e Kim Kataguiri, que não perderiam seu tempo em canais de menor visibilidade. A polêmica, como foi devidamente noticiada, envolveu considerações sobre a liberdade da existência de um partido nazista no Brasil. É desnecessário comentar algo tão absurdo, suficiente para incitar postagens de ministros do Supremo à membros da comunidade judaica, mas este subproduto da “intelectualidade” contemporânea não poderia se esconder por muito tempo – e aqui jaz o jornalismo. Porque uma coisa é criar um personagem, um “podcasters” diferente que bebe e fuma maconha em suas entrevistas.

Outra é apresentar, em paralelo à essa excentricidade – e rotineiramente –, parâmetros pelos quais, a busca pela audiência, devem ser mantidos. A discussão aqui não está na “liberdade de expressão”, como muitos a quiseram tratar ontem, e sim na “expressão de bobagens”, e foi isso que trouxe essa fama repentina ao Flow. Nada diferente do que acontece com influencers de todos os naipes, cantores e cantoras – ontem mesmo, circulou um vídeo de uma dessas famosas de ocasião, se deixando despir em pleno palco. A poeira deste caso, já baixou. Os jornalistas, que se divertiram destilando ódio contra a dupla, também estão encontrando mais o que fazer. E a memória curta desse pessoal da internet permitirá que novos episódios em poucos dias voltem ao ar, talvez até com mais sucesso, para quem procura “irreverência” ou alguma curiosidade. Conhecimento, jamais