Sempre discordei de algumas explicações acadêmicas sobre o enfraquecimento da chamada “velha imprensa”. Segundo estes teóricos do apocalipse, essa nova velocidade com a qual se impõe a transmissão de notícias não foi bem absorvida pelos principais veículos, que de certa forma demoraram para compreender que a internet seria uma aliada, e não adversária.
Forma e conteúdo também foram significativamente alterados: em apenas uma lauda, e não em duas ou até as vezes três, se delimitou o espaço útil para a construção de um texto. Esse pensamento é tão bizarro como se uma editora deixasse de publicar livros com mais de 80 páginas para que os leitores conseguissem chegar até o fim. Não e por aí. A mídia tradicional perdeu uma enorme fatia de penetração porque os recursos advindos da publicidade enfraqueceram, e com isso as redações foram enxutas. Na mídia impressa, cadernos foram transformados em páginas e o custo da distribuição, se considerarmos um título nacional, ficou impraticável. Portarias de condomínios que antes recebiam 15 ou 20 exemplares, hoje recebem a presença de cinco ou seis assinantes em busca de seus jornais. Até a televisão, preferida pelas grandes marcas, foi impactada, abandonando suas grandes produções para a concentração de esforços em produtos de retorno comercial mais confiáveis, como os “realitys”. E por que a publicidade evaporou? Pelo fenômeno da segmentação.
Esta nova geração de profissionais nunca folheou jornais, nem talão de cheques. Ela nasceu em um ambiente de “chiques”, no qual a informação comercial predomina e a jornalística é irrelevante. Por isso quem continua se informando de maneira clássica se surpreende quando novas “celebridades” aparecem aprontando alguma coisa, semana sim, semana também.
Há pouco mais de um mês uma “youtuber” radicada na região nordeste, a qual jamais tinha ouvido falar, promoveu uma festa em um resort que durou uma semana. Hoje em dia, no BBB, há uma dessas “influencers”, capaz de sugerir roupas, em suas aparições na rede, que se desaparecem das prateleiras em poucas horas. A própria Juliette, vencedora do ano passado, até hoje faz tanto sucesso que possui perfis específicos no Instagram, cada um deles dedicados ao seu, digamos, estado de espírito. Quem precisa, então, de rádio, TV ou jornal? Entretanto, sucesso rápido não significa permanente. Amanhã fecharemos este comentário, especialmente tratando do cancelamento do tal “Monark” e sua apologia ao nazismo.