Em 2014 o programa Master Chef estrearia na rede Bandeirantes sob olhares curiosos de todo o Brasil. Com um formato relativamente simples, creio que a singularidade dos jurados o fez tão popular desde o primeiro episódio. Em comum, além de dominarem a gastronomia desde as suas raízes, Henrique Fogaça, Érick Jacquim e Paola Carosella aos poucos deram publicidade para suas carreiras distintas, porém, unidas por um enredo forte de superação. Aliás, chancelado pela própria jornalista Ana Paula Padrão, que há muitos anos deixou o conforto dos telejornais conduzidos na Rede Globo. Desde a última temporada, a oitava, para surpresa e ao mesmo tempo tristeza de seus fãs, Carosella decidiu não renovar o seu contrato com a emissora, sendo substituída por Helena Rizzo, até agora uma mera coadjuvante. Impulsionada pela fama repentina, a argentina decidiu cuidar melhor de seus negócios e atualmente pode ser vista, diariamente, em posts no Instagram.
Entretanto, diferentemente de dezenas de chefes de cozinha que usam e abusam da arte de fazer composições e variações de receitas, ela amplificou a defesa de suas causas e conceitos. Durante as participações no Master Chef, a ideia de harmonizar cadeias produtivas, especialmente entre os pequenos produtores e seus fornecedores, era clara e evidente. O interesse em utilizar produtos com menores quantidades de defensivos agrícolas, idem, e na internet estes assuntos são mais explorados.
Na semana passada, Paola apareceu sem avental de cozinheira, como está quase sempre, alertando sobre a iminente votação de um mais um polêmico projeto do governo federal, desta vez ampliando a utilização de defensivos e a capacidade contaminadora dos mesmos. Neste final de semana, quando várias capitais brasileiras registram protestos contra o brutal assassinato de Moise Kabagambe, Paola apareceu em uma destas manifestações trajando uma camiseta com a imagem do congolês.
As críticas por esta postagem eram esperadas, como sua resposta, endereçada ontem a quem classificou de oportunismo sua aparição: dura e repleta de fatos reais. Por enquanto não existem indicações que sugiram interesses eleitorais em suas aparições – porque ela trata disso também, política –, e obviamente ela não precisa mais ser filmada em sua cozinha ensinando que omeletes são feitos à base de manteiga, e não de óleo. Portanto, Paola Carosella é um de desses raros casos de engajamento sem se importar se dela farão um pano de cozinha ou de chão. Sofrendo ataques por ser um mulher bem-sucedida e argentina, em particular, merece ser melhor compreendida, ouvida e respeitada. Aliás, por conta destas manifestações, ações concretas foram anunciadas no início desta semana, e sobre racismo trataremos amanhã.