19/01/2022

Pesquisando os telejornais na noite de ontem, depois do temporal, uma tela exibida por um apresentador chamou a atenção. Era um mapa do Brasil praticamente todo pintado de vermelho e pensei tratar-se de mais uma pesquisa eleitoral, porém a gravidade do quadro se justificava: refletia os estados nos quais as contaminações por Covid-19 estavam em alta. Infelizmente o resultado não poderia ser outro pois, todos os dias, mesmo diante de apagões no fornecimento de números, a chamada média móvel do número de casos revela picos extraordinários. Somente na segunda-feira, em comparação a 15 dias anteriores, a quantidade de contaminados aumentou mais de 600%, fazendo com que o Brasil alcance nesta semana a marca superior a 23 milhões de casos, com a notificação diária superior a 76 mil novos resultados. Para efeitos comparativos, em março de 2021, no pior mês da pandemia, este número foi pouco superior a 78 mil, e o que apontam, agora, os especialistas? Conforme escrevemos anteriormente, ainda existe muita nebulosidade em torno de previsões, pois algumas são catastróficas e outras otimistas – por incrível que pareça –, mas, comparando-se o Brasil a outros países como África do Sul (onde a variante Ômicron foi identificada pela primeira vez), Reino Unido, Austrália e Canadá, a má notícia é que provavelmente atingiremos o pico desta nova onda dentro de duas ou três semanas; a boa informações é que, em seguida, possivelmente ocorrerá uma queda drástica, como explicou o pesquisador Julio Croda, da Fundação Osvaldo Cruz: “o platô observado em outras ondas não se repete porque a taxa de transmissão é quatro vezes maior do que o vírus original e não há medidas restritivas dessa vez; depois, quando o vírus não encontra pessoas suscetíveis, ou porque estão muito bem protegidas pela vacinação ou porque já foram infectadas, a queda é acentuada”. Trocando em miúdos, contra essa variante sequer o fechamento de cidades – como nunca fizemos, de verdade – evitaria a velocidade da transmissão do vírus, que detém uma capacidade gigantesca de transmissão. Uma dúvida que não saberemos responder, e que dá calafrios, é o que aconteceria com o planeta se a Ômicron fosse a precursora da pandemia. Melhor nem pensar…