11 de Janeiro 2022
Muito se comenta sobre o fracasso popular de João Doria em São Paulo, estado o qual governa com imensa exposição e, mesmo assim, não vê seu trabalho reconhecido. Porém, por mais incongruências que tenha cometido, por exemplo antecipando e depois prolongando demais as medidas restritivas impostas pela pandemia, o governador não conseguiu frear a grande locomotiva nacional, que segue seu curso à despeito de quem seja o maquinista. Entretanto, não reconhecer o trabalho de seus governantes é relativamente comum, principalmente quando as evidências falam por si. Aécio Neves, representante de um clã secular, perdeu a eleição presidencial contra Dilma Rousseff não porque a região nordeste assim o quis, mas devido à baixa adesão dos mineiros em sua candidatura, que sabem o que fazem. Minas Gerais, há décadas, busca alcançar padrões de desenvolvimento semelhantes à São Paulo, mas são barrados por seus governantes. Detentor da maior malha viária nacional, por exemplo, o cenário desolador que temos acompanhado nos últimos dias evidencia o quanto suas estradas as facilmente engolidas quando à prova de intempéries. E o quanto, também, suas incontáveis mineradoras seguem debaixo de regras frouxas de segurança, demonstrando que centenas de mortes recentemente contabilizadas não fizeram a menor diferença. É evidente que os indicadores pluviométricos contam, e desfavorecem a população neste momento, porém, também é certo que impõem uma sabatina que o governador Romeu Zema se mostra absolutamente despreparado para responder. Em nosso país, as costas de São Pedro estarão sempre abertas enquanto medidas preventivas não sejam discutidas como merecem.