03/11/21
Milhares de pessoas puderam retornar ontem aos cemitérios depois de um distanciamento forçado em virtude da pandemia, e assim reverenciar, como de costume, seus entes queridos. Desde que, no século VIII, o para Gregório autorizou os padres a rezarem missas em memória dos mortos, o respeito a esta data se espalhou pela Europa e, especialmente no Brasil, levar flores e acender velas se tornou uma tradição a cada da 2 de novembro. A pandemia, também, impôs a celebração de Finados um caráter de excepcionalidade, porque muitas vidas foram abreviadas em função de seu alcance. A terrível enfermidade ceifou milhares de famílias, deixando um imenso vazio em lares até então estruturados. Perder alguém, em sua essência, já é difícil; prematuramente, então, causa uma dor ainda mais profunda. Entretanto, na tarde de ontem, dois especialistas em luto concederam uma entrevista preciosa em todos os sentidos. Eles revelaram observações colhidas durante este período de isolamento social, entre as quais novas maneiras de, em certa medida, “homenagear” os falecidos. Segundo estes levantamentos, a restrição de visitas aos cemitérios e até mesmo as limitações impostas aos velórios introduziram novas práticas de reverência, com o auxílio inclusive das mídias sociais. Pessoas que residem em locais diferentes, por exemplo, encontraram um tempo para, unidas pela internet, dedicarem alguns instantes para se lembrarem de um ente querido. Outras, isoladamente, aproveitaram o dia de Finados para reproduzirem alguma receita que as aproximasse, sentimentalmente, de quem não está mais neste mundo. Os exemplos se sucederam durante bons minutos porque, ao final, a grande mensagem era essa: se a saudade é inevitável, existem formas de aliviá-la. De, ao reproduzir-se um assado, de adornar, de modo especial, uma pequena fotografia, podemos conduzir nossas lembranças afetivas de modo a representá-las com orgulho e gratidão. Uma forma de “brindar” uma existência bem vivida, capaz de deixar rastros de amor que jamais serão apagados. Fazemos parte de uma sociedade dinâmica e, compreender suas direções, é uma experiência interessante. Neste caso, de transformar a dor inevitável da perda em uma salva de palmas, com direito a papéis picados, todos eles com a inscrição “jamais lhe esquecerei”.