08/11/21
O isolamento social sugerido por especialistas quando a Covid-19 era ainda desconhecida pela ciência colocou à prova uma das maiores necessidades dos seres humanos: a convivência. A recomendação de ficar em casa e as limitações de deslocamento apenas para supermercados e farmácias nos retirou, bruscamente, o encontro com amigos, colegas de trabalho e, em muitas situações, com nossos próprios familiares. Sem os cafezinhos nas padarias ou os encontros em lanchonetes nosso cotidiano ficou restrito aos afazeres domésticos e, aos poucos, à visitas virtuais que fazíamos ou recebíamos. Se é verdade que até hoje isso incorporou alguns hábitos que não serão totalmente abolidos, também nos reencontramos, nesta retomada de quase normalidade, com o contato físico com pessoas queridas, dando oportunidade de jogarmos, sobre a mesa, nossas angústias, experiências e sonhos. Infelizmente a pandemia ainda não acabou, e prova disso é que alguns países europeus, principalmente com baixos índices de vacinação, retomaram a imposição de medidas restritivas. Na própria China, berço da doença e país no qual as informações são sempre questionáveis, medidas deste tipo volta e meia são adotadas. E, a exemplo de 2020, a proximidade das festas de fim de ano volta a lançar desafios às autoridades públicas. Comparativamente temos uma situação mais confortável, agora, mas uma coisa é certa: será cada vez mais difícil estabelecer um novo período de abstinência de aglomerações e abraços. Prova disso vimos no último sábado, quando se intensificaram, em Goiânia, as últimas homenagens prestadas à cantora Marília Mendonça. Do velório ao sepultamento, longos abraços tentavam confortar corações tristes e inquietos até porque o afeto faz parte da nossa essência. Eles despejam, ao outro, o que sentimos sem que uma palavra seja proferida. Só nos resta torcer para que esta retomada seja duradoura e segura, a bem do “velho” normal, que está de volta com toda a sua força.