17/11/21
Medida publicada no Diário Oficial da prefeitura do Rio de Janeiro suspende, a partir de hoje, a exigência do uso de máscaras em academias, piscinas, centros de treinamento e pistas de patinação, desde que seus frequentadores apresentem comprovantes do ciclo vacinal completo. Vale lembrar que, na capital fluminense, o mesmo vale para ambientes abertos, medida que o governo de São Paulo ainda não adotou, e o que dizem os especialistas? Por enquanto o que existe é um inquietante silêncio, em primeiro lugar porque o avanço da vacinação parece ter derrubado as primeiras previsões sobre a incidência da variante Delta no Brasil. Depois, porque a exigência dos comprovantes vacinais “convenceu”, em boa medida, pessoas que ainda mantinham dúvidas sobre a questão. Nos aproximamos, então, do fim deste pesadelo? A resposta é: talvez. Em pleno feriado, um representante da secretaria estadual da saúde tentou explicar, durante entrevista, porque os números de contaminações da Europa aumentaram nas últimas semanas. Segundo ele, a liberação do uso de máscaras em locais públicos teria ocorrido muito rapidamente, mas, convenhamos, isso não é exatamente uma explicação científica. Ao contrário do que fez, também no final de semana, a infectologista da Fiocruz, Margareth Dalcomo. Ela foi direta ao ponto, dizendo que o Brasil ainda não atingiu uma taxa de vacinação adequada e que, portanto, “não é hora de baixar a guarda”. Enquanto isso, a realidade impera. No último domingo, acompanhando o pré-jogo de uma partida disputada em São Paulo, que reuniu quase cinquenta mil pessoas no Morumbi, os relatos não deixaram dúvidas: além das máscaras figurarem como meros acessórios nas mãos dos torcedores, a exigência da comprovação vacinal foi para inglês ver. Ou seja, relatos das reportagens descreveram que os protocolos foram montados, mas a fiscalização estava longe de ser rigorosa. Até que novas experiências apontem algo mais conclusivo, um olhar no que acontece em países como Alemanha, Itália e Áustria, incluindo regiões do Leste Europeu, não deve ser descartado, incluindo recentes previsões da OMS. Ou seja, o que temos até agora é que a Covid-19 será menos letal, provavelmente deixará de ser uma pandemia dentro de alguns meses, mas estará longe de ser erradicada.