22/11/2021

De qualquer ponto de vista que se queira – ou se possa – enxergar, o fisco das prévias do PSDB expõe a fragilidade de um partido que, desde a sua fundação, colocou-se como protagonista da agenda política nacional. Do ponto de vista administrativo, a ausência de testes suficientes que garantissem o acesso virtual, por aplicativo, de aproximadamente 45 mil filiados, soa como inacreditável. Em primeira análise, não é possível que seus gestores tenham exposto tamanha irresponsabilidade um momento de enormes questionamentos sobre a eficiência de votações eletrônicas. Se é verdade que o aplicativo teve a chancela de uma universidade federal, isso não significa que a eficiência do produto seria, como ao contrário viu-se, à toda prova. Mas existem leituras mais aprofundadas para se fazer. As tais “prévias” tucanas, desde que concebidas, significaram um importante avanço que deveriam espelhar outras legendas. Concebido como uma alternativa ao histórico MDB, o PSDB jamais deixou de ser, desde a sua constituição, um clube fechado de cartas marcadas. E duas razões históricas justificaram esta posição, aparentemente consolidadas até agora. As permanências de Fernando Henrique durante longos oito anos no Palácio da Alvorada e de Geraldo Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. Devido a isso – e não somente –, sua cúpula passou a determinar, de cima para baixo, quais seriam seus candidatos à sucessão, sem uma avaliação mais crítica de possibilidades. E sem a costura de alianças, momento em que ouvir é melhor que falar. Assim o PSBD acumulou erros por falta de estratégias, inclusive do ponto de vista interno, democráticas, que agora poderiam ter chagado a fim. Porém, tudo indica que não. Se, por este aspecto, as prévias indicam algum tipo de oxigenação, paralelamente não oferecem, ao escolhido, chances de êxito sem construções mais consolidadas de objetivos. Prova disso é que, em Minas Gerais, estado que ofereceu a reeleição a Dilma Rousseff, o controle paralelo do PSDB segue com toda a força. Desta forma, o governador de São Paulo, João Doria, de inquestionável inabilidade política, segue em sua obstinação de se tornar a bola da vez, com mínimas chances de se colocar eleitoralmente viável. Independentemente de quando encerrar este processo, este descompasso com a realidade segue evidente, cobrando uma conta produzida por um passado que teima em se tornar presente.