23/11/21
Assunto abordado neste comentário na semana passada, o avanço da vacinação em São Paulo está, para usar uma palavra da moda, empoderando a população que, cada vez mais, transferiu as máscaras de proteção facial dos queixos para os bolsos. Não poderia ser diferente, o respeito às leis estaduais e municipais, neste sentido, ocorre fundamentalmente no comércio, em especial nas farmácias e supermercados. Em lojas de pequeno movimento, tornou-se frequente encontrarmos atendentes sem a proteção até a chegada de um cliente, enquanto alguns exageros são praticados. Em uma casa de lanches, no final de semana, testemunhei o trabalho de um cozinheiro com o equipamento escondendo apenas o seu pomo-de-adão, estabelecimento o qual dispensei na mesma hora. E assim, entre o desejo e a necessidade, segue também esta divisão entre olhares e apostas. A observação dos números nos aproxima de uma feliz realidade: não apenas as contaminações e o número de óbitos diminuíram como, mesmo diante de alguns exageros como a volta de torcedores aos estádios e eventos corporativos, os índices resistem aos riscos provocados por aglomerações. Quanto às apostas, a grande dúvida é se haverá, ou não, uma nova onda como atualmente ocorre em várias regiões europeias. Até mesmo em Portugal, uma referência no auge da pandemia, já se discute a volta do uso de máscaras nas ruas e a pergunta é: os prefeitos seguirão aguardando um eventual repique ou adotarão medidas para minorá-lo? Do ponto de vista administrativo, ao menos 27 municípios de São Paulo preferiam a segunda opção, cancelando desde já, investimentos públicos no carnaval de 2022. Cidades como Taubaté, Ubatuba, Franca e tantas outras anunciaram a decisão e suas justificativas, mas uma delas pode não parecer técnica, mas foi bastante humana. Nada menos que 12 cidades na região de Guaíra decidiram não realizar o carnaval “em respeito às vítimas da Covid-19”, também pensando, é claro, nos riscos de contaminação. Infelizmente, ao contrário de muitas previsões, a pandemia não incorporou, na humanidade, um comportamento mais nobre em relação ao próximo. O “salve-se quem puder”, ao menos no Brasil, segue firme, mas é reconfortante assinalarmos atitudes como essa, de “respeito às vítimas”, pois as sequelas deixadas em milhares de famílias também seguirão, e por muito tempo. Tomara que a prefeitura paulista tenha a mesma sensatez e quanto a Limeira, bem, não é possível cancelar o que não existe.