24/11/2021
Limeira, faz algum tempo, se transformou em uma comunidade na qual poucos mandam e muitos obedecem. Uma cidade que não discute o seu futuro, não possui uma percepção realista de seu presente e, muito pior que tudo isso, é dirigida por um pequeno grupo de pessoas enfeitiçadas pelo poder, que se auto sugerem viver em um paraíso. Uma sociedade na qual os chamados invisíveis estão exatamente na concepção da palavra, ou seja, não vivem pelas esquinas jogando malabares ou exibindo placas de desemprego. Terra em que o trânsito é humanizado, que motociclistas e motoristas convivem em harmonia porque, quanto aos primeiros, não se atrevem a ultrapassar com manobras arriscadas. E, para ajudar, em Limeira os semáforos nunca falham, assim como os radares, e quando isso ocorre, um batalhão de cenourinhas aparece. Todos gentis e educados, exercendo a nobre missão de controlar o fluxo. A terra da laranja vive tão feliz que até mesmo o vírus da Covid-19 é piedoso, alcançando agora o status de seletividade. Isso mesmo. Porque funciona assim. A prefeitura escolhe os eventos nos quais somente as pessoas podem entrar, o vírus, não, e assim as autoriza. Isso é mágico, como é o Natal, e observem como é agradável brincar. Ainda ontem, neste Farol, o companheiro José Antonio Encinas questionou o cancelamento da distribuição de balas na praça Toledo Barros por ninguém menos que o Papai Noel, sim, o próprio. Tenho comigo que acertou, porém, ele não levou em consideração a tal seletividade. O que José Encinas não computou em seu raciocínio é que o vírus mora na praça, a mesma em que se formaram filas enormes em plena pandemia no entorno das agências bancárias. Lá nossa prefeitura não pôde atuar, desde março do ano passado e, eficiente como é, demonstra agora como detecta a Covid-19. Com pompa e circunstância, divulgou ontem que o chamado “mercado de Natal” será mesmo realizado nos “jardins” do Edifício Prada, como se fossem da Casa Branca. E mais. Pontou os esforços de nossa primeira-dama para realizar esta festa da solidariedade – sem vírus – com direito a guloseimas e apresentações artísticas. Na certa, ela estará hoje concedendo entrevistas aos amigos “de sempre”, e vida que segue. Pois é. Há quem não tenha a menor saudade dos tempos em que havia oposição em Limeira, incluindo o rigor de agentes públicos que deveriam fiscalizar situações como essa. Mas não é o meu caso. Se isso não for autopromoção, com a criminosa estrutura pública pagando a conta, não sei mais o que é isso. Proponho um pequeno exercício: coloque outro nome em Alice, e conclua. O país das maravilhas é aqui. Ah, e não se esqueça. Se quiser fugir do vírus, mais eficientes que as vacinas, são os jardins do Edifício Prada.