A TV assim como as emissoras de rádio vivem de audiência para que possam vender sua imagem ao anunciante. É a justa troca entre a informação e o que garante essa informação. A audiência, entretanto, não pode se tornar um grande abutre. Um urubu em busca de sua carniça, vivendo às custas de cadáveres. Mesmo que seja para exaltar, mostrar, desfilar seus feitos e sua importância social ou cultural, dando-nos uma overdose de cobertura jornalística e batendo na mesma tecla até cansar. Ou quebrar a tecla. O fim de semana foi de uma overdose de Marília Mendonça e seu trágico acidente, que vai demorar para que ela consiga descansar sua alma. Desde a confirmação da tragédia, nada mais aconteceu no país. A pandemia foi deixada de lado e, por um momento, os quase 610 mil mortos pela Covid não existiam mais. O choro era soluçado e sobre apenas um caixão. Um caixão que merece tanto choro quanto cada um dos 610 mil mortos. E que não é menos trágico que a crise sanitária. Nunca é tarde para rever conceitos. Até a próxima tragédia e tudo volta à tona.