Nós temos um limite do razoável. E dentro desse limite, respeitando-se sempre os fatos e não ilações, não podemos nos calar diante de tamanha asneira declarada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em sua live da última quinta-feira, quando ele disse que tinha notícias de que a vacina contra a Covid estava causando Aids, ou a sindrome da imunodeficiência adquirida. Perdeu a noção da realidade, mais do que de costume. E joga, decididamente, contra a saúde pública. Apesar de o Facebook e Instagram já terem retirado o vídeo do ar, o estrago já foi feito. Alguém precisa, com urgência, dar um jeito para que o presidente pare com essas aberrações e passe a tratar a situação da pandemia no país como um presidente da República deve tratar. Ele não pode, como não tem o mínimo direito possível, em divulgar um absurdo desses, pois sabemos que a Aids – e hoje qualquer criança aprende isso na escola – é transmitida por contato sanguíneo, sangue com sangue, ou seja, quando há uma troca, seja por transfusão, relações sexuais ou por simples contato com o sangue infectado e, por isso, que os jogadores, quando sangram são obrigados a deixar o gramado (no caso do futebol) e estancar esse sangue. Não dá mais para achar isso normal e normatizar essa incapacidade intelectual de Bolsonaro, como “sendo o jeito dele”, “ele é autêntico e fala o que lhe vem à cabeça”, é o “jeitão sincero dele”… Que mal ele ainda vai fazer para essa crise santitária?